Encarar o
parceiro rural
como empresário |
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A chegada de qualquer empresário urbano, comerciante ou industrial num
município interiorano brasileiro é saudada com manifestaçãos de apoio
por políticos e lideranças empresariais e por entidades de classe. Na
maioria dos casos, a vinda desses empresários é produto de exaustivos
pedidos oficializados pelo poder público municipal e de gestões pessoais
de dirigentes classistas e de clubes de serviços.
A atenção dispensada a esses empresários mobiliza todos os segmentos da
comunidade. São proporcionados a eles inúmeros privilégios, desde a obtenção
de áreas para a instalação de seu negócio, isenção de impostos e facilidades
na elaboração de projetos até o apoio institucional do próprio poder público
ou de entidades de classe.
Jä o mesmo tratamento nunca é dispensado ao empreendedor rural, capacitado
profissionalmente e na maioria das vezes portador de recursos financeiros,
maquinário ou rebanho, que pretenda se instalar em algum lugar do País
e se associar a proprietários de terra.
Na maior parte dos casos, o que falta ao produtor rural é informação.
Quando, por iniciativa própria, ele busca descobrir novas áreas agricultáveis
para expandir seus negócios, não sabe a quem se dirigir para obter orientação
quanto aos locais mais indicados para a cultura que pretende implantar.
Nos municípios para onde se encaminha, não encontra informações de nenhum
tipo. A quase 90% dos municípios brasileiros falta um perfil agroeconômico,
com dados que permitam aos empreendedores rurais que chegam, avaliarem
a realidade local, as condições do solo e a disponibilidade de áreas.
O que se vê atualmente nos quase 5 mil municípios brasileiros é a timidez
das lideranças políticas e do pessoal técnico, na sua intenção de atrair
produtores para a região. Muitos deles alegam estar cerceados pelo preconceito
dos grandes proprietários de terras e poucos se dão conta de que devem
usar o poder que têm para mudar a imagem distorcida que persiste em relação
aos produtores que migram.
Resquício de coronelismo ou falta de vontade política para mudanças, o
fato é que a pouca interferência do poder público e das entidades de classe
nas pequenas cidades prejudica o desenvolvimento dessas comunidades e
subtrai ao potencial agropecuário parte de sua força.
O incentivo à discussão dos problemas da comunidade que envolvem o uso
e a ocupação da terra, a disponibilidade e utilização dos recursos é,
portanto, a condição primeira para a orientação definitiva dos municípios
para sua verdadeira vocação agropecuária.
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