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ARRENDAMENTO E PARCERIA


FIQUE POR DENTRO



O papel da Bolsa de Arrendamentos
na diversificação das atividades rurais


20/02//2004



A predominância de poucas atividades produtivas no meio rural – quer seja na área de lavouras ou de pecuária - acaba trazendo, invariavelmente, o empobrecimento para parte de seus executores, a degradação das terras e a decadência das comunidades interioranas.

A diversificação de empreendimentos rurais beneficia, em primeiro lugar, os produtores em geral, agricultores e pecuaristas de todos os portes, que desta forma podem garantir rendimentos financeiros de outros negócios agropecuários e em diversas épocas do ano. A existência de maior variedade de produtos, além de compensar as alterações de mercado, proporciona entrada frequente de recursos na economia dos municípios e interfere beneficamente em outros setores como comércio, indústria e prestação de serviços, movimentando a economia.

Bovinocultores que se dedicam à criação, recriação e engorda extensivas, deveriam introduzir necessariamente culturas anuais de produção de grãos nas suas propriedades, com objetivo de conseguirem outras fontes de rendimento e renovação das pastagens. O que se vê normalmente por todas a regiões do país são pastos, naturais ou artificiais, invadidos por ervas daninhas e arbustos indesejáveis, infestados de formigas e cupins e corroídos pela erosão, perdendo progressivamente sua capacidade de apascentamento, sem que seus proprietários promovam sua recuperação por falta de máquinas agrícolas ou de aporte monetário, ou de ambos.

Já os pecuaristas que produzem leite, não se dedicam, em sua maioria, a outras atividades rurais. Muitos sequer plantam milho para o próprio consumo da fazenda. Como a atividade leiteira é conduzida sob condições cíclicas, nas quais em determinada época há escassez de pastos e é necessária a suplementação alimentar dos bovinos, o produtor é impelido a adquirir ração balanceada industrializada, cuja composição tem pelo menos 70% de milho. O dispêndio de recursos financeiros para aquisição de um produto que poderia estar sendo cultivado no local debilita a própria atividade e concorre para a sangria da economia dos municípios.

O ideal seria que estes profissionais, além da produção de bezerros, garrotes, bois e leite, passassem a combinar na própria fazenda um regime de integração com a agricultura que lhes propiciasse a um só tempo renda oriunda de outra atividade e revitalização das terras degradadas pelo pastejo contínuo

Para exploração de lavouras comerciais, como a da soja e do milho, são necessários conhecimentos profissionais, frota de máquinas e recursos financeiros para que se possa implantá-las, requisitos que não inviabilizam sua introdução em áreas onde estas culturas ainda não se tornaram expressivas. Este tipo de empreendimento exige principalmente boa topografia para sua plena mecanização, condições físicas do solo que permitam sua estruturação e regime de chuvas que satisfaça as exigências das plantas. Em todo o caso é necessário que se examine as variedades que possivelmente já estejam sendo cultivadas ou introduzidas nestas localidades, pois existem no mercado produtos adaptáveis praticamente à maioria das regiões brasileiras.

É de se salientar que entre as muitas vantagens proporcionadas pela instalação da sojicultura em localidades com aptidão para produção desta oleaginosa, uma das mais importantes é o inevitável surgimento de outras lavouras que serão cultivadas em sua sucessão, intercalando rotações que inibem o aparecimento de pragas e promovem a produtividade, sendo a principal delas a do milho, em escala comercial.

A cultura do milho, aliás, precisa merecer atenção também de produtores que podem explorá-la em lavouras menores, conduzidas por máquinas de pequeno porte, pois com a produção deste cereal, consegue-se introduzir o verdadeiro milagre da multiplicação dos alimentos. Tanto é assim que se pode notar que em uma propriedade rural onde se cultiva lavoura de milho, mesmo que só para consumo próprio, existe fartura. E as áreas exploradas com este grão, revitalizadas, podem ser retomadas para novos pastos, com capacidade de lotação animal bem superior a que ofereciam antes da lavoura. É de se ressaltar o grande consumo deste cereal no mercado interno, principalmente pela avicultura comercial, e, ainda, que o País vem incrementando suas exportações em quantidades crescentes.

Por outro lado, a exploração racional de pequenas áreas irrigáveis, de várzeas não necessariamente úmidas, pode ser uma excelente alternativa para se obter rendimento mensal, semanal e até mesmo diário, com o cultivo de hortaliças, A horticultura pode ser trabalhada em pequenos módulos, exigindo baixos investimentos e aproveitando adubo orgânico obtido do gado das próprias fazendas. Alem de tornar proveitosas glebas de terras desprezadas, absorve grande contigente de trabalhadores, conseguindo a manutenção de inúmeras famílias no meio rural. e pode melhorar consideravelmente a alimentação da população urbana com produtos de boa qualidade e a preços acessíveis.

A lavoura de espécies florestais, como as de eucalípito ou de pinus é outra atividade que poderá proporcionar rendimentos financeiros e matérias para pecuaristas, proprietários de terras, introduzidas em áreas consideradas marginais, e implantadas por empresas consumidoras de madeiras, e que tem as virtudes de ornamentar a propriedade rural, reconstituir o meio ambiente, abrigar a fauna e prover com madeira os empreendimentos agropecuários. Utilizando áreas de encostas, não mecanizáveis, sujeitas a degradação ou em processo de erosão, pode-se criar recintos agradáveis, decorativos, de sombreamento para o gado. O reflorestamento tem ainda outra vantagem que é a de permitir a exploração da apicultura em escala comercial.

Outros empreendimentos produtivos para o meio rural podem ser detectados através do conhecimento pormenorizado das características climáticas, topográficas e da distribuição fundiária das propriedades. Para obtê-los deve-se recorrer empresas agronômicas privadas ou públicas que atuam nas diversas regiões do país. Muitas vezes um empreendimento supostamente impróprio para determinado local, pode ser introduzido desde que observados requisitos para sua adaptação.

Como implementar tantas atividades que promovem diversificação de empreendimentos rurais, produzindo mais alimentos, movimentando riquezas, desenvolvendo a economia e oportunizando a criação de empregos, contando com recursos materiais e humanos, das próprias comunidades interioranas? Como introduzir e ampliar explorações agropecuárias sem dispor de recursos financeiros governamentais?

Vencendo preconceitos, acabando com o desânimo, eliminando o individualismo, os empreendedores e as comunidades interioranas poderão encontrar o caminho do desenvolvimento autônomo, tornando-se organizadas e conscientes da tarefa que lhes compete na utilização da iniciativa privada e na mobilização de empreendedores para evoluírem econômica e socialmente.

O mecanismo eficiente, de simples funcionamento e fácil aplicação, para se dar início a um profundo processo de transformações que interfira na ocupação racional da maior riqueza dos municípios interioranos, é, comprovadamente, a instalação de uma Bolsa de Parcerias e Arrendamento de Terras.

 

José Humberto Guimarães
Coordenador Nacional da Bolsa de Parcerias e Arrendamento de Terras

 

 
 

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