| <%@LANGUAGE="VBSCRIPT" CODEPAGE="CP_ACP"%>
Untitled Document
ARRENDAMENTO
E PARCERIA
FIQUE POR DENTRO
AGRICULTOR PROFISSIONAL É EMPRESÁRIO,
COMO OS QUE ATUAM NAS CIDADES.
18/02/2004
A chegada de qualquer empresário urbano, comerciante ou industrial num
município interiorano brasileiro é saudada com manifestações
de apoio por políticos e lideranças empresariais e por entidades
de classe. Na maioria dos casos, a vinda desses empresários é
produto de exaustivos pedidos oficializados pelo poder público municipal
e de gestões pessoais de dirigentes classistas e de clubes de serviços.
A atenção
dispensada a esses empresários mobiliza todos os segmentos da comunidade.
São proporcionados a eles inúmeros privilégios, desde a
obtenção de áreas para a instalação de seu
negócio, isenção de impostos e facilidades na elaboração
de projetos até o apoio institucional do próprio poder público
ou de entidades de classe.
Jä o mesmo
tratamento nunca é dispensado ao empreendedor rural, capacitado profissionalmente
e na maioria das vezes portador de recursos financeiros, maquinário ou
rebanho, que pretenda se instalar em algum lugar do País e se associar
a proprietários de terra. Nos municípios para onde se encaminha,
não encontra informações de nenhum tipo. A quase 90% dos
municípios brasileiros falta um perfil agroeconômico, com dados
que permitam aos empreendedores rurais que chegam, avaliarem a realidade local,
as condições do solo e a disponibilidade de áreas para
possíveis arrendamentos.
O que se vê
normalmente na maioria dos municípios interioranos brasileiros é
a ignorância das lideranças políticas e institucionais com
relação ao potencial do agronegócio e, conseqüentemente,
sua timidez na intenção de atrair produtores rurais para a região.
Muitos deles desconhecem a desenvoltura empresarial de profissionais agropecuaristas
por estarem cerceados pelo preconceito dos grandes proprietários de terras
e poucos se dão conta de que devem usar o poder que têm para mudar
a imagem distorcida que persiste em relação aos agricultores que
migram.
Na maior parte dos
municípios brasileiros, a idéia que se tem do progresso está
relacionada com o comércio e indústria, somente. Desconhecendo
a maior riqueza de que dispõem - a terra - as lideranças municipais
tendem a investir política e financeiramente em programas industriais
e na criação de distritos que atraiam a instalação
de fábricas, acreditando ser este o único instrumento capaz de
gerar progresso e bem-estar social.
Por não conhecerem
o perfil agroeconômico do município e nem os dados básicos
como a extensão territorial, a ocupação econômica
da terra ou a produção local, acabam por incentivar a instalação
de indústrias sem considerar o requisito principal para seu funcionamento,
que é a disponibilidade de matéria-prima. É frequente a
exportação de grande volume de produtos in-natura, transportados
para localidades distantes, onde são industrializados e que retornam
para serem consumidos em sua região de origem. E há também
casos de indústrias interioranas que deveriam abastecer-se de matéria-prima
local e no entanto importam esses produtos de municípios longínquos.
Ignorando a estratégica
função da produção rural para a economia como um
todo e também para criar facilidades para a indústria, os municípios
deixam de lado o setor primário.
Fábricas
de alguma coisa ou de qualquer coisa são as ambições frequentemente
perseguidas por cada localidade interiorana brasileira onde quase tudo se conhece
sobre as atividades urbanas. E a promoção do desenvolvimento?
Como está sendo feita e quem são seus executores? Como e onde
implementá-lo? A economia destas localidades está fundada sobre
a produção agropecuária e, no entanto, desconhecem-se seus
empreendedores, suas atividades e as possibilidades de ampliá-las.
O descaso das lideranças
em relação à atividade agropecuária produz situações
de desorganização no abastecimento de alimentos que refletem negativamente
nos resultados do almejado desenvolvimento e prejudicam produtores e consumidores
locais. Como exemplo típico, pode-se citar o caso da produção
de milho, leite e hortaliças, culturas presentes, com expressividade
variável, na maioria dos municípios brasileiros, cujos produtos
se tornam inacessíveis aos consumidores. Sobra leite em determinada época
do ano, falta milho para a sustentação de animais e importa-se
verdura para suprir o consumo das cidades. É de pasmar que muitas comunidades
do nosso interior, possuidoras de vastas extensões de terras, com suas
populações carentes de emprego e mal nutridas, tenham se tornado
importadoras habituais de produtos agrícolas que poderiam produzir.
Resquício
de coronelismo ou falta de vontade política para mudanças, o fato
é que a pouca interferência do poder público e das entidades
de classe nas pequenas cidades prejudica o desenvolvimento dessas comunidades
e subtrai ao potencial agropecuário parte de sua força.
O incentivo à
discussão dos problemas da comunidade que envolvem o uso e a ocupação
da terra, a disponibilidade e utilização dos recursos é,
portanto, a condição primeira para a orientação
definitiva dos municípios para sua verdadeira vocação agropecuária.
E para implementar
o desenvolvimento, a partir do fortalecimento da agropecuária, a primeira
medida que as lideranças municipais devem tomar é encarar o empreendedor
rural como um empresário, valorizando seu trabalho e seus programas produtivos.
Para se ter uma
idéia da importância que a introdução de um empreendimento
agrícola proporciona a municípios interioranos, tomemos como ilustração
um módulo de 300,00 hectares de lavoura de soja instalada através
de contrato particular, sem burocracia, em terras arrendadas por um período
inicial de cinco anos
MÓDULO DE
300,00 Hectares
Terras arrendadas - contrato de 5 anos |
| INVESTIMENTOS |
| Máquinas |
Conjunto
agrícola composto de:
- 2 tratores
- grades
- plantadeira
- pulverizador
- carreta
- guincho
- equipamentos menores
|
200.000,00 |
| Estruturação
da terra para início dos plantios - Parte financiável |
|
- Limpeza da área
- construção de obrs de proteção
- conservação e correção do
solo |
90.000,00 |
| Capital
aplicado |
290.000,00 |
|
| RECEITA ANUAL
BRUTA - IMPACTANDO A ECONOMIA DO MUNICÍPIO |
| Produção |
R$ |
15.000
sacos de soja
- média de 50 sacos/ha a US$10,00/saco
|
450.000,00 |
| |
450.000,00 |
|
| DESPESAS
ANUAIS - EFETUADAS NO MUNICÍPIO ONDE ESTÁ A LAVOURA |
|
R$ |
| Custeio |
300.000,00 |
Abatimento
do investimento na estruturação da terra
- capital e juros |
22.500,00 |
| Total |
322.500,00 |
|
| RENOVAÇÃO
DE MÁQUINAS E IMPLEMENTOS |
|
R$ |
|
- capital aplicado anualmente |
30.000,00 |
|
| TAXA ANUAL
DO ARRENDAMENTO – NUMERÁRIO QUE PASSA A CIRCULAR
NO MUNICÍPIO |
| Pagamento
do Arrendamento |
R$ |
- média anual nos 5 primeiros anos
- 5 sacos/ha a US$10,00 x R$3,00 |
45.000,00 |
|
|
| IMPACTO NA ECONOMIA
DO MUNICÍPIO |
| |
Anualmente |
Ao longo de 5 anos
de contrato iniciais |
| COM COMERCIALIZAÇÃO
DA SAFRA |
|
|
| COM MOVIMENTAÇÃO
DE CARGAS |
|
|
|
Constata-se, portanto,
que o empreendedorismo do agricultor é tão importante quando ao
do empresário urbano, seja na movimentação da riqueza,
na geração de empregos e na promoção do desenvolvimento,
impulsionando nas comunidades interioranas os seguintes benefícios:
- Ocupapação racional
e econômica das terras, sua maior riqueza;
- diversificação das atividades econômicas;
- geração de empregos;
- estímulo à melhor qualificação da mão-de-obra
local;
- incremento dos demais segmentos econômicos - comércio, industria,
prestação de serviços;
- arrecadação de tributos.
José Humberto Guimarães
Coordenador Nacional da Bolsa de Parcerias e Arrendamento de Terras
|