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ARRENDAMENTO
E PARCERIA
FIQUE POR DENTRO
MERCADO DE ARRENDAMENTO
DE TERRAS NO BRASIL
10/04//2004
O Brasil é um país
com dimensão continental cujo território se estende por 850 milhões
de hectares, dos quais cerca de 250 milhões estão ocupados com
pastagens e lavouras. Possuímos ainda pelo menos 90 milhões de
hectares para serem incorporados ao processo produtivo de alimentos sem que
tenhamos prejuízos com as áreas de preservação ambiental.
Com esta ocupação já somos o quarto maior produtor de grãos
e temos o maior rebanho bovino comercial do mundo. Nas exportações
somos o segundo na soja e o primeiro na carne bovina. Somos o quinto maior exportador
de alimentos do planeta. Se compararmos esta nossa situação com
outros paises de extensão territorial semelhante, população
ativa e potencial de crescimento veremos que se trabalharmos bem galgaremos
o topo na produção e nas exportações de alimentos
dentro em breve, com incontáveis benefícios para nós brasileiros
e para as populações que dependem da importação
de comida.
Quais são
então os problemas que ainda inibem este nosso crescimento e afetam diretamente
nosso desempenho produtivo? Um dos maiores, senão o mais grave, é
a questão do uso econômico da terra. Para produzirmos com eficiência
e produtividade é preciso que tenhamos em mente que a terra é
um bem social, que deve gerar resultados para as populações como
um todo. No Brasil ainda temos, com relação ao uso da terra, muitos
mitos e tabus que comprometem o bom desempenho da atividade produtiva. O maior
deles, sem dúvida, é o que se refere à propriedade da terra,
ou melhor à detenção de uma escritura da propriedade da
terra. No Brasil, a terra em sua maior parte, ainda tem sido usada como meio
de especulação e não como fator de produção.
Esta questão
do uso e da posse da terra no Brasil tem sido tratada, pela maior parte dos
segmentos da sociedade, de maneira conservadora e preconceituosa. A maioria
desconhece que entre os fatores necessários à produção
agropecuária, a terra, no Brasil, é o único componente
que não é escasso. Na verdade, os meios existentes no país
para torná-la produtiva é que são insuficientes, ou estão
inaproveitados.
Por razões
históricas e culturais, convencionou-se, erroneamente, que somente quem
é proprietário de terras tem capacidade para utilizá-la
em atividades agropecuárias. Esta crença tem gerado conflitos
desnecessários e paralisia econômica porque não se avalia
corretamente quais são os fatores que dificultam ou interferem na expansão
da atividade agropecuária brasileira.
A maior parte das propriedades rurais do país, mesmo localizadas em regiões
vocacionadas para a exploração agropecuária tem baixos
índices de ocupação produtiva ou estão totalmente
subutilizadas. Muitas estão sob intenso processo de degradação.
Estas áreas estão tituladas e registradas, e nem por isto seus
possuidores conseguiram transformá-las em unidades eficientes de produção.
Por outro lado,
em tradicionais zonas lavoureiras, milhares de empreendedores rurais capacitados,
portadores de recursos, estão reprimidos em suas atividades, por falta
de terras compatíveis com sua capacidade.
Outros tantos agropecuaristas
profissionais - atuando em diversas regiões do país e utilizando
terras próprias - mesmo dispondo de recursos que permitem a ampliação
das atividades, mantêm-se exclusivamente dentro dos limites das áreas
que possuem, porque desconhecem os meios disponíveis para aparceirarem-se.
Fica aí evidenciado
o agudo sintoma dos mitos e preconceitos que ainda emperram a expansão
da produção de alimentos de forma racional e econômica:
a pequenez do nosso mercado de arrendamento de terras. Mesmo em zonas agrícolas
tradicionais, onde a agricultura empresarial é praticada, o arrendamento
de terras é utilizado timidamente..Dados do IBGE dão conta de
que, em 1996, somente 2,43% da área territorial apta para atividades
agropecuárias no país estavam ocupados por este meio e apenas
7,13% das propriedades rurais faziam algum tipo de arrendamento.
Estudos do Banco
Mundial sobre políticas fundiárias em todo o mundo defende que
o incremento ao arrendamento é fator fundamental para facilitar o acesso
à terá e promover o crescimento econômico. Coordenado pelo
economista alemão Klaus Deininger, “Políticas fundiárias
para crescimento e redução da pobreza” levou três
anos para ser elaborado e é o primeiro documento no gênero financiado
pelo Banco Mundial desde 1975.
O estudo do Bird
afirma que o arrendamento de terras gera vantagens de equidade consideráveis
e ao mesmo tempo estabelece a base para um clima positivo de investimento e
diversificação econômica. O referido estudo, no entanto,
não inclui o Brasil em seus anais e aborda programas em andamento em
paises africanos, asiáticos e do leste europeu. A não inclusão
do Brasil, provavelmente se deve ao fato de que as políticas fundiárias
aqui fomentadas resumam-se à programas estatais direcionados para uma
reforma agrária ortodoxa, fundada na desapropriação e na
distribuição de terras e não à implementação
da produção.
No entanto, em que
pese a falta de políticas públicas que o façam desenvolver
e aos inúmeros preconceitos que o assolam, o mercado de arrendamento
de terras no Brasil, acionado pela iniciativa privada, está em pleno
andamento, praticado por profissionais que executam atividades agropecuárias
tecnificadas e comerciais e que utilizam terras de terceiros para buscar eficiência
produtiva.
A agricultura empresarial
independe da propriedade da terra – ou o melhor, da escritura da propriedade
da terra, para ser executada eficientemente. A produção agrícola
producente pode ser realizada tanto em áreas do próprio empreendedor
como de terceiros - - através de arrendamentos ou parcerias - mantendo
sempre o mesmo desempenho. Com esta característica a agricultura empresarial
está crescendo pois viabiliza o direcionamento de investimentos para
a produção e dispensa a imobilização de capital
na compra de terras.
| Número
de Estabelecimentos por Condição do Produtor - 1996 |
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| FONTE: IBGE, Censo
Agropecuário 1995/1996 |
José
Humberto Guimarães
Coordenador Nacional da Bolsa de Parcerias e Arrendamento de Terras
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