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ARRENDAMENTO
E PARCERIA
FIQUE POR DENTRO
O antigo meeiro nada tem
com o atual parceiro
20/03//2004
Prevalece, ainda, em várias
regiões brasileiras a idéia equivocada de que parcerias e arrendamentos
rurais são práticas de produção agropecuária
que envolvem exploradores e explorados, mantenedores e dependentes. Com a concorrência,
a necessidade de se aumentar a produção fez com que proprietários
de terras e produtores se adaptassem e criassem novas formas de como fazer a
terra produtiva e geradora de riqueza.
Tentativas frustradas
foram deixadas para trás e as experiências obtidas por elas foram
aproveitadas. Utilizadas outrora em grande escala, sem o propósito de
produção comercial, as chamadas parcerias assistidas - meias,
terças e quartas - apresentam o meeiro como extremamente dependente do
dono da terra e, por isso mesmo, dispendioso e ineficiente, e o proprietário
rural como explorador mordaz do trabalho do pequeno lavourista e de sua família.
Essas formas de associação
precárias foram muito praticadas e disseminadas no passado e persistem
ate hoje em algumas regiões do País. Os meeiros, desprovidos de
recursos materiais e financeiros, dependem do proprietário da terra para
a condução de pequenos empreendimentos agrícolas, recebendo
o solo, de aparente fertilidade natural, preparado e a semente para o plantio.
Na maioria dos casos, sem dispor de máquinas e equipamentos motomecânicos,
o meeiro utiliza implementos de tração animal e a força
de trabalho da família para a execução das tarefas de custeio
e colheitas de lavouras de subsistência, como as de arroz, milho, feijão
entre outras culturas. Vivendo praticamente da força física, sem
disponibilidade financeira, a sustentação do grupo familiar é
feita, em parte, pelo proprietário da terra que adianta algum dinheiro
e gêneros de primeira necessidade, com garantia de ressarcimento dos empréstimos
por ocasião da colheita das lavouras.
Esse tipo de relação
de trabalho artesanal, com clara e inegável ligação de
dependência material e financeira entre produtores e proprietários
de terras não se parece absolutamente em nada com associações
produtivas modernas, praticadas através de arrendamentos e parcerias
rurais, nas quais predomina a autonomia dos protagonistas e exige empreendedorismo
dos que as executam.
Histórico
- De algumas décadas para cá, mais precisamente à partir
de 1970, quando a agricultura .artesanal e de subsistência extrativista
e de baixa produtividade não conseguia mais atender a demanda do mercado,
tanto pela redução dos trabalhadores que a executavam, que migravam
para as cidades, quanto pelo aumento populacional que precisava de mais alimentos,
a alternativa foi introduzir empreendimentos agrícolas em áreas
até então consideradas inaptas para a produção de
grãos mas que tinham boa topografia e eram mecanizáveis, com vistas
ao aumento das safras. Estas novas áreas, muito mais amplas, mas com
solos ácidos e pobres de minerais, exigem adoção de tecnologias
para se tornarem produtivas. É necessário aplicar corretivos e
fertilizantes químicos no solo e utilizar equipamentos motomecanicos
em todo o ciclo das lavouras do preparo da terra até à colheita
da safras!
Este processo de
modernização, potencialmente rentável, exige, no entanto,
grandes investimentos financeiros por parte dos lavouristas, os quais, em função
das vultosas aplicações monetárias passaram a se profissionalizar,
gerenciando eficientemente seus negócios para que as safras produzam
os lucros esperados. E tem sido assim, trabalhando de forma empresarial, que
uma parcela de profissionais agricultores desejosos de ampliar suas escalas
de produção, maximizando o uso da suas frotas de máquinas
e sua capacidade gerencial, vem buscando nas parcerias e nos arrendamentos de
terras o meio de expandir suas lavouras, atuação esta queevidencia,
de forma indelével, a diferença entre o extrativismo dos meeiros
e o profissionalismo dos modernos parceiros e arrendatários.
Sem medo - No entanto,
alguns resquícios daquele antigo processo de uso da terra são
tão marcantes que continuam projetando, nos tempos atuais, uma visão
equivocada sobre as parcerias e os arrendamentos rurais, relacionando-os, impropriamente,
com a figura do antigo meeiro e padronizando parceiros e arrendatários
com perfis deformados quanto às suas características de empreendedores
autônomos, eficientes e produtivos. Estas associações de
cunho figurativo, depreciativas, acabam interferindo negativamente para o processo
de ampliação das verdadeiras e genuínas parcerias que podem
ser praticadas hoje, em muito maior escala, nos campos brasileiros.
Decorre, portanto,
em grande parte, deste preconceito o sentimento que atribui a profissionais
agricultores parceiros e arrendatários a reputação, infundada,
de incapazes e até de aventureiros pelo único fato de, como os
antigos lavourista meeiros, cultivarem terras de terceiros.
José
Humberto Guimarães
Coordenador Nacional da Bolsa de Parcerias e Arrendamento de Terras
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